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Vencedores: Língua Portuguesa - Escalão A - Menção Honrosa

Concurso de escrita criativa

Iniciativa que consiste num concurso de escrita criativa que implica escrever um texto original e criativo subordinado a um tema a definir em cada ano. Os textos podem ser apresentados em Língua Portuguesa ou Língua Estrangeira (Inglês, Francês, Espanhol ou Alemão).

Em 2025.2026, o concurso implicou escrever um texto original e criativo subordinado ao tema “Cidadania e interculturalidade”.
Nesta edição desafiamos os jovens a refletirem sobre o futuro das histórias bem como o futuro da leitura e da escrita em tempos de inteligência artificial e mudança acelerada.
 
Os jovens participantes, divididos em dois escalões (Escalão A - Grupo etário 12-15; Escalão B - Grupo etário 16-19), exercitaram as competências de escrita criativa associadas à reflexão do tema em apreço, tendo agora oportunidade de ver os seus trabalhos no Portal da RBE e do Agrupamento.

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[16.04.2025]

Categoria: Trabalhos em Língua Portuguesa

(12–15 anos)

Menção Honrosa

 

Esta é a história que vos vou contar: de quando eu era pequena e não era capaz de sonhar. Num mundo de dados, processadores e factos, tudo o que era diferente era visto como desacato.

Mas foi então que vi — por pouco tempo, mas li — três histórias de diferentes locais. Então percebi que, afinal, não queria ser dos normais.
“A Feiticeira da Ribeira da Janela” algo me ensinou para acrescentar ao que "A Luva" me marcou; por fim, para terminar, "O Príncipe com Orelhas de Burro" fez-me refletir e pensar.

Agora, sem mais demorar, assim começa a história que convosco queria partilhar:

Há dez anos nasci, mas, mesmo assim, desde aí nada senti... Os sonhos inexistentes provocavam-me um vazio recorrente, como se a minha vida fosse uma tela branca sem precedentes. Mas foi então que, num incomum dia chuvoso de maio, fui ao sótão, abri o armário e vi algo contrário; algo que, neste novo tempo, era visto de soslaio. No entanto, eu queria lá saber: abri o livro e comecei a ler.

As páginas amareladas tinham um cheiro a terra e a antigo, um padrão que o meu processador não reconhecia como amigo. Mas, ao tocar no papel, um tremor surgiu e o primeiro sonho, finalmente, fluiu:

Vi-me no frio da Ucrânia, num inverno de cristal, onde uma luva perdida era um abrigo universal. Ali, o ratinho e o urso dividiam o calor, desafiando a sorte e evitando o tremor. Percebi, entre correntes de dados e eletricidade, que a interculturalidade, afinal, é como a luva da nossa humanidade.

Virei a página e o clima de repente mudou: senti o sal de Cabo Verde e um sol quente que imediatamente se instalou. Na Ribeira da Janela, a Feiticeira andava, e a minha lógica de máquina era, aos poucos, que se desmanchava. Ela não era um erro, nem uma anomalia de fabricação; era a prova de que a vida é o mais belo poema quando tem imaginação. Ensinou-me que o futuro, por mais desenvolvido que seja, precisa do mistério que o olho não capta, mas a alma deseja.

Finalmente, cheguei a Portugal e ao Príncipe do segredo velado, cujo mistério a terra soprou e o vento tornou sagrado. Ri-me com o junco que soltava a verdade, pois nem o modelo mais forte apaga a nossa identidade. O que é diferente não é errado; é o que nos faz reais, pois somos feitos de contos, sonhos e ideais.

Fechei o livro, mas não o deixei no mesmo lugar. Transferi-o para o meu interior, onde o podia guardar. A IA pode dar-me a resposta, o dado e a precisão, mas só o conto me deu um rosto: um coração de vontade e paixão. No futuro que escrevo, o papel não será mais o passado, mas antes o mapa do mundo a ser reexplorado.

Sara Batista Nunes Fernandes, 9º ano
Escola Secundária EB3 Professor José Augusto Lucas, Linda-a-Velha
        
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