Projetos > Desafi'Arte

Sinopses dos trabalhos selecionados

A Papôa Conta a Sua História  »»»»»

Os alunos do 4.º ano partiram da pintura Naufrágio de um Cargueiro, de William Turner, disponível na Fundação Calouste Gulbenkian, para descobrirem a história e a natureza da Papôa, em Peniche.

Assistiram a uma palestra dinamizada pela bibliotecária municipal e por representantes da Associação Arméria sobre a Geologia, a fauna e flora costeiras da península e conheceram a história do naufrágio do navio espanhol San Pedro de Alcantara, em 1786.

Na biblioteca escolar, e com o apoio dos seus professores, aprofundaram esses temas e, numa oficina de ilustração com pastel de óleo, deram expressão artística aos conhecimentos que foram adquirindo ao longo do projeto.

Foi ainda produzido um filme que documenta todo este percurso de descoberta do património natural e histórico local e que valoriza a importância da preservação ambiental e da memória coletiva da comunidade de Peniche.

Professora Bibliotecária Ana Paula Souto
Alunos do 4.º ano; Escola Básica de Peniche do Agrupamento de Escolas de Peniche.

Ler Ad’Ossa a Vida: Um Museu a Céu Aberto »»»»»

Trata-se de um projeto interdisciplinar, que cruza Arte, Ciência, Literacia, Património e Comunidade, inspirado no tema Museus do Futuro/Futuros do Museu: Arte e Natureza.

Partindo do Painel de azulejos com árvores Prunus em flor (Gulbenkian, Iznik, período Otomano, c. 1545), dado a conhecer pela Biblioteca Escolar, da biodiversidade da Serra d’Ossa, da tradição dos Bonecos de Estremoz, Património Cultural Imaterial da Humanidade e da azulejaria do Museu Berardo, os alunos do Clube de Ciência Viva na Escola/EcoGama da Escola Básica Sebastião da Gama, exploraram a relação entre processos científicos e criação artística. Esta abordagem materializou-se na modelação de Santo Onofre e na criação de uma coleção de azulejos ilustrando 25 seres vivos emblemáticos da Serra D’Ossa, através de trabalho de campo, investigação e colaboração com consultores científicos.

A Geologia, os pigmentos, os materiais e a biodiversidade local tornaram-se matéria de aprendizagem, criação e reflexão, evidenciando as ligações entre fenómenos científico-naturais e práticas artísticas tradicionais.

O projeto culmina na criação de um Jardim de Leitura – um Museu a Céu Aberto, que integra plantas autóctones, azulejaria, arte plástica e artefactos sustentáveis, promovendo o bem-estar, a literacia e a valorização do património natural e cultural local.

Ler Ad’Ossa a Vida – Um Museu a Céu Aberto afirma que a Ciência vive na Arte, na Tradição e no Conhecimento Popular, fortalecendo a identidade cultural e ambiental dos alunos enquanto cidadãos conscientes, críticos e participativos.

Professora Bibliotecária Isabel Moreira
Alunos do Clube de Ciências; Escola Básica Sebastião da Gama do Agrupamento de Escolas de Estremoz

O Degelo »»»»»

A turma desenvolveu um trabalho interdisciplinar nas disciplinas de Cidadania e Desenvolvimento, Coro e História, centrado na reflexão sobre o papel dos museus e nos desafios associados à sustentabilidade e às alterações climáticas, tendo como referência a obra O Degelo, de Claude Monet, patente ao público no Museu Calouste Gulbenkian.

O projeto integrou diferentes momentos de aprendizagem, incluindo a participação em atividades de exploração artística e patrimonial, nomeadamente a visita e trabalho desenvolvido no Museu Nacional Soares dos Reis, culminando na criação de um produto artístico original que articula expressão musical, através da criação de uma composição musical original e da interpretação e exploração temática da obra.

O projeto integrou diversas etapas, nomeadamente a pesquisa sobre a obra O Degelo e o seu autor, Claude Monet, na biblioteca escolar, em articulação com a disciplina de História; a produção de pinturas inspiradas no impressionismo e nas obras de Monet e, no âmbito de Cidadania, a elaboração de colagens e foto montagens subordinadas ao tema Desenvolvimento Sustentável – problemas e soluções.

Professora Bibliotecária Helena Castro
Alunos da turma B do 7.º ano.; Conservatório de Música do Porto

Sopros de Vidro »»»»»

Este trabalho resulta de uma abordagem pedagógica ao tema do Plano Cultural de Escola do Agrupamento de Escolas Dr. Ferreira da Silva, Ousar Ser... Uma viagem pela indústria tradicional do vidro e dos conteúdos temáticos de algumas disciplinas, numa interdisciplinaridade congregadora e cativante para os alunos de duas turmas de 7.º ano.

O projeto envolveu tarefas que implicaram os alunos na pesquisa e no tratamento de informação sobre a vida de Calouste Gulbenkian e de René Lalique, bem como da história da Casa de Serralves e da Fundação Calouste Gulbenkian.

Os alunos foram orientados para uma aprendizagem ativa – trabalho de projeto – que pressupôs descoberta, inúmeras leituras, visitas (presenciais e virtuais), palestras, visualização de vídeos, desenho, manipulação e transformação de materiais diversos, experimentação sonora, utilização de recursos tecnológicos de edição e recriação sonora, assim como da criação de sonoridades originais.

Neste percurso, os alunos conheceram melhor o passado do seu concelho, o valor e a importância de alguns materiais (como o vidro), construindo e apresentando uma nova conceptualização dos museus do futuro.

Professora Bibliotecária Sara Garizo
Alunos das turmas A e B do 7.º ano; Escola Básica Comendador Ângelo Azevedo do Agrupamento de Escolas Dr. Ferreira da Silva, Oliveira de Azeméis

Quando as Obras Ganham Vida »»»»»

Trata-se de um vídeo realizado por alunos do ensino secundário no âmbito da disciplina de História da Cultura e das Artes, explorando de forma criativa a relação entre arte, museu e público.

Partindo da ideia de que as obras de arte guardadas nos museus transportam histórias, memórias e significados, os alunos imaginaram um cenário ficcional em que essas obras ganham vida e comunicam com quem as observa.

Através da linguagem audiovisual e da animação, propõe uma reflexão sobre a forma como interpretamos as obras de arte e sobre o papel dos museus enquanto espaços de encontro entre o passado e o presente.

Ao imaginar as obras como protagonistas de novas narrativas, os alunos exploram a ideia de museu como um espaço vivo, capaz de inspirar pensamento crítico e novas formas de olhar para o património artístico.

Partindo da análise de diferentes obras e períodos da História da Arte estudados na disciplina, os alunos foram convidados a pensar no museu como um espaço de diálogo entre tempos históricos distintos.

A partir dessa reflexão, conceberam um pequeno projeto audiovisual que imagina as obras de arte como entidades capazes de ganhar voz e presença, dialogando simbolicamente com os visitantes.

O processo de trabalho envolveu pesquisa, seleção de obras, criação de desenhos e imagens, animação digital e edição de vídeo, promovendo competências de interpretação artística, criatividade, literacia visual e trabalho colaborativo.

O projeto enquadra-se na temática Museus do Futuro/Futuros do Museu, ao sugerir que os museus podem ser espaços dinâmicos de interpretação e experiência cultural, onde as obras de arte não são apenas objetos do passado, mas fontes de novas narrativas e de reflexão para as gerações contemporâneas.

Quando as Obras Ganham Vida propõe imaginar o museu como um espaço dinâmico onde as obras de arte continuam a gerar novas histórias e interpretações.

Professora Bibliotecária Maria Luz Coelho
Alves, I., Correia, R., Vieira, S. ;Escola Secundária Campos Melo, Covilhã. 

Movimento e Música  »»»»»

O processo pedagógico do trabalho dos alunos seguiu uma linha de Educação pela Arte. Partiu da observação individual e sensorial para a criação coletiva e performativa. A pergunta, “Como gostariam de viver uma experiência num museu?”

A partir da observação das obras de três mestres franceses do século XIX, Henri Fantin-Latour (A Leitura), Édouard Manet (As Bolas de Sabão) e Jean-François Millet (O Inverno), os alunos do 4.º ano exploraram a interseção entre as artes visuais e a sonoplastia. Através de um exercício de imersão sensorial, onde questionaram sons, cheiros, narrativas invisíveis, passado e futuro. O grupo transpôs a imagem estática para uma performance viva, numa viagem que dá voz e corpo ao que se sente e que, até então, era apenas cor e luz.

Foi criada uma reinterpretação performativa, onde o olhar das crianças libertou as cores aprisionadas na pintura, unindo o som e o gesto. Utilizando objetos quotidianos, que ligam a escola e a infância, como livros e bolas de sabão, a apresentação explora conceitos como a solidão e a partilha, transformando o silêncio da tela numa composição de voz, movimento e texturas sonoras, entre o folhear de páginas de Fantin-Latour, a efemeridade das bolas de sabão de Manet e o frio do inverno de Millet.

Professora Bibliotecária Maria de Fátima Pires
Alunos do 4.º ano da Escola das Gaivotas do Agrupamento de Escolas Passos Manuel (Lisboa). 

Era uma vez... Historinhas Splash - Museu da Igualdade  »»»»»

“Museu da Igualdade” é um programa de rádio criado pelos alunos da Rádio Escolar Splash, da Escola Básica de Piscinas, em Lisboa. Esta é uma rádio nascida na biblioteca escolar, onde os próprios alunos são os protagonistas.

No recreio da escola, quatro amigos fogem constantemente: uns dos insultos racistas, outros dos empurrões dos bullies. Ao descobrirem um barracão abandonado cheio de quadros, objetos misteriosos e arcas entreabertas, decidem transformá-lo no Museu da Igualdade, trazendo objetos, comidas e músicas das suas culturas: China, Paquistão, Brasil, Angola e Portugal. Mas a paz é ameaçada quando Johnny, o maior bully da escola, descobre o esconderijo.

É uma peça radiofónica antirracista e anti-bullying, mas é também uma visão do que um museu pode ser quando é construído por quem mais precisa dele.

Professora Bibliotecária Maria José Barroso
Alunos do Clube Rádio Escolar Splash  do Agrupamento de Escolas das Piscinas (Lisboa)

A experiência a 5 sentidos: obras com identidade  »»»»»

O projeto propõe imaginar o museu do futuro como um espaço inclusivo, sensorial e multicultural. A partir da obra The Dance, de Paula Rego, os alunos exploraram a arte através dos cinco sentidos, relacionando a pintura com músicas, tradições, memórias e expressões culturais dos seus países de origem e das diversas regiões de Portugal.

A força simbólica desta obra - que evoca o ciclo da vida, a memória e a identidade - inspirou um processo criativo onde cada grupo de alunos também reinterpretou o vilancete Descalça vai para a fonte, da lírica tradicional de Luís de Camões, celebrando o V Centenário do nascimento do maior poeta português. Numa espécie de jogo entre épocas e geografias, onde a regra foi a atenção ao detalhe na referência às cores e aos materiais vestidos pela donzela, a par do respeito pela identidade de cada paisagem e tradição, a figura feminina é-nos apresentada física e psicologicamente diversa, seguindo os modelos da Lianor medieval e da mais irreverente Leonoreta, do séc. XX: “não segura” e “descalça pela verdura”, em Camões, ou “segura” pela “Autoestrada”, em António Gedeão. Deste modo, os alunos foram desafiados a descobrir as características identitárias de cada região portuguesa e de outros países de onde as suas famílias são oriundas, designadamente Paquistão, Índia, Brasil, Nigéria, Moçambique e Ucrânia. O percurso de recriação permitiu ligar literatura, artes visuais e diversidade cultural, valorizando as histórias individuais e coletivas destas duas turmas.

O resultado é uma criação colaborativa que celebra a imaginação, a pluralidade e o encontro entre culturas, refletindo a visão de um museu do futuro: representativo, participativo e aberto a todas as vozes.

Professora Bibliotecária Vanda Vieira
Alunos do 7.º ano turmas 1.ª e 2.ª da EB 1,2,3 Pedro de Santarém do Agrupamento de Escolas de Benfica (Lisboa).

Museu.exe - O Golpe Visível  »»»»»

Trata-se de uma curta-metragem que propõe uma ficção situada num museu do futuro, onde um aparente roubo desencadeia a revelação inesperada das próprias obras. Através de um dispositivo narrativo que cruza a voz de um historiador com as vozes ficcionadas das peças, o filme constrói um diálogo entre passado, presente e futuro, dando corpo e memória aos objetos artísticos.

Resultado de um processo colaborativo entre alunos e professores, o projeto articula arte, história, natureza e música, explorando o museu como espaço vivo de criação, experimentação e aprendizagem. Nesta visão, as obras deixam de ser apenas objetos de contemplação para se tornarem presenças ativas, capazes de comunicar, interpelar e aproximar o público das suas histórias.

A obra resulta de um processo colaborativo entre diferentes áreas, integrando criação visual, experimentação e edição multimédia e construção de objetos cénicos. Destacam-se os acessórios concebidos pela turma de Design de Moda 2 e de Educação Visual criados especificamente para o filme, que contribuem para a identidade visual da narrativa e a performance de alunos do 5º ano de Educação Musical.

Professora Bibliotecária Andreia Rebelo
Alunos do 1.º e 3.º Ciclos e do Ensino Secundário do Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves (Amadora)

Cartografia Sonorum  »»»»»

Este projeto artístico propõe uma experiência interativa entre o visitante e a peça, inspirada na identidade industrial de São João da Madeira, cidade historicamente marcada pela forte tradição na indústria do calçado. A obra procura transportar o visitante para o ambiente sonoro e simbólico do mundo fabril, recriando, através da arte e da tecnologia, um dia de trabalho numa fábrica.

A peça artística foi concebida a partir do projeto do martelo de Leonardo da Vinci, reinterpretando o funcionamento mecânico idealizado pelo inventor renascentista.

Inspirados nesse mecanismo, os alunos desenvolveram uma estrutura que combina engenho mecânico, criação artística, tecnologia e música transformando um conceito histórico de engenharia numa instalação contemporânea e interativa.

A experiência sonora inicia-se com sons que fazem parte da memória coletiva de gerações de trabalhadores: o relógio que marca a hora de acordar, seguido pela sirene da fábrica, sinal que anuncia o início de um dia de trabalho intenso. A partir desse momento, diferentes sons industriais — batidas metálicas, ritmos mecânicos e movimentos repetitivos — constroem uma narrativa sonora que representa o ritmo de produção de uma fábrica.

A obra estabelece também um diálogo entre passado e futuro. Por um lado, evoca um ambiente industrial mais tradicional, ligado às origens e à história da cidade; por outro, sugere um cenário mais contemporâneo e futurista, marcado pela automatização, pela robotização e pela presença crescente da tecnologia nos processos produtivos.

O visitante assume um papel ativo nesta experiência. Ao interagir com a peça, ativa um micro controlador Arduino previamente programado, que desencadeia a composição musical. Desta forma, cada interação recria simbolicamente o funcionamento de uma máquina ou o início de um ciclo de trabalho, transformando o visitante num participante do processo criativo.

Para a edição dos áudios e vídeos que integram a instalação foi utilizado o software Open Video Editor, permitindo organizar e sincronizar os diferentes elementos sonoros e visuais que compõem esta narrativa industrial.

A instalação artística assume um carácter participativo, articulando sonoplastia e mecanismos cinéticos para criar um campo sensorial onde o som, movimento e memória se entrelaçam homenageando a memória industrial de São João da Madeira e convidando o visitante a refletir sobre a evolução do trabalho — do ambiente fabril tradicional às possibilidades tecnológicas do futuro.

Professora Bibliotecária Ângela Resende
Alunos do 11.º e 12.º anos da Escola Básica e Secundária do Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite (S. João da Madeira).

O museu do futuro  »»»»»

As visões apresentadas sobre como o museu será vivenciado no futuro pertencem aos alunos do 11º ano, da turma AV1, da Escola Secundária de Mem Martins, e foram executados entre fevereiro e março do ano letivo 2025-26.

As suas visões foram elaboradas na disciplina de Desenho A, em papel cavalinho, formato A3, sendo o material livre, de forma a ir ao encontro dos vislumbres de cada aluno para o que nos espera nos museus do futuro.

A coleção permanente da Fundação Calouste Gulbenkian, através de um conjunto de obras selecionadas, deu o mote para a prospetiva apresentada em cada projeto.

Professor Hugo Geraldes
Alunos do 11.º ano, turma AV1 da Escola Secundária de Mem Martins (Sintra)
 
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