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Quando a tecnologia começa a “pensar” por nós

Lucas Martins alertou para os riscos da tecnologia e venceu em maio

Aluno do 12.º ano do Agrupamento de Escolas de Vila Pouca de Aguiar reflete sobre tecnologia, pensamento e liberdade.

[25.06.2026]
Foto de Lucas Martins
«A inteligência artificial pode trazer benefícios importantes, mas não deve substituir o pensamento crítico nem a liberdade de escolha.»
 
 

Quando a tecnologia começa a “pensar” por nós

A notícia sobre a nova aposta da Google deixou-me simultaneamente impressionado e preocupado. A ideia de transformar o telemóvel num assistente pessoal, capaz de compreender hábitos, antecipar necessidades e tomar decisões, aproxima-nos de uma realidade que, até há pouco tempo, parecia apenas ficção científica. Ao ler sobre esta evolução, torna-se inevitável pensar até que ponto estamos dispostos a entregar partes da nossa vida e da nossa autonomia à inteligência artificial. 

À minha volta, muitas pessoas encaram estas mudanças com entusiasmo, vendo nelas apenas conforto e eficiência. De facto, ter um telemóvel capaz de organizar tarefas, responder automaticamente ou facilitar o quotidiano é uma vantagem evidente. No entanto, para mim, a dependência crescente da tecnologia levanta questões importantes. Quando começamos a deixar que dispositivos “pensem” por nós, corremos o risco de perder espaço para a reflexão, para a decisão consciente e até para o erro humano, que também faz parte da nossa aprendizagem.   

Não acredito que o problema esteja apenas na inteligência artificial em si, mas na forma como a sociedade se habitua rapidamente à comodidade. Tal como aconteceu com as redes sociais, muitas ferramentas tecnológicas começam por facilitar a vida e acabam por influenciar comportamentos, rotinas e até relações pessoais. Quanto mais informação entregamos às grandes empresas tecnológicas, maior é também o poder que estas passam a ter sobre aquilo que vemos, escolhemos e consumimos diariamente.

Mais do que rejeitar o avanço tecnológico, importa aprender a utilizá-lo com equilíbrio. A inteligência artificial pode trazer benefícios importantes, mas não deve substituir o pensamento crítico nem a liberdade de escolha. O verdadeiro desafio não é criar máquinas cada vez mais inteligentes, mas garantir que os seres humanos continuam capazes de decidir por si próprios, num mundo cada vez mais automatizado.

Lucas Martins, 12.º ano,
Agrupamento de Escolas de Vila Pouca de Aguiar

 Isto também é comigo! é uma iniciativa do projeto PÚBLICO na Escola e da Rede de Bibliotecas Escolares, este concurso distingue, todos os meses, um texto da autoria de estudantes do ensino secundário, tendo como ponto de partida para a reflexão um trabalho do PÚBLICO.

Foi  o artigo A Google quer transformar o nosso telemóvel num assistente pessoal que “pensa” por nós, de Sérgio Magno, publicado a 15 de maio de 2026, que originou a reflexão do aluno.

Integraram o júri, nesta edição: Luísa Gonçalves, coordenadora do PÚBLICO na Escola; Cláudia Sá, professora, AE António Correia de Oliveira, em Esposende; Mariana Alves, aluna do Agrupamento de Escolas de Albergaria-a-Velha; Dália Santos, elemento da equipa RBE.

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