Aluna do 12.º ano da Escola Secundária de Tondela lembra que o problema, vivido em tantas escolas, é complexo. “Será que os números contam a história toda?”, pergunta.
[29.05.2026]
Uma crise ultrapassada ou uma realidade abandonada?O artigo “Falta de professores? Problema ‘é muito menos grave’ do que é apresentado, diz ministro”, de Cristiana Faria Moreira, foi publicado, no PÚBLICO, a 21 de abril de 2026, e apresenta a forma como o governo português considera exagerada a escassez óbvia de docentes nas escolas. O discurso utilizado permite, à primeira vista, tranquilizar a sociedade, mas conduz-me a uma questão inevitável: será que estes números contam a história toda? Estatisticamente, o problema diminuiu, mas, independentemente dos cálculos, milhares de alunos continuam sem aulas e sem acesso à educação. Na perspetiva destes, pouco importam os números apresentados, tendo em conta que, no lugar de um professor, continuam a encontrar o vazio, e no lugar de alunos academicamente bem preparados encontram-se a si próprios, perdidos e deixados para trás pelo sistema educativo do país. Quem governa tende a simplificar uma crise que é, na sua essência, complexa. Ao afirmar que o problema está “menos grave”, é utilizado um discurso que, apesar de matematicamente verosímil, pode criar uma ilusão de controlo que conduz à desvalorização do impacto desta instabilidade, diminuindo a sensação de urgência na sociedade. Mascara-se, assim, uma situação com contas complexas e oscilações nos números, limitando oportunidades, acentuando desigualdades e gerando formação académica incompleta. As questões reais deveriam continuar a ser: por que é que continuam a faltar professores? Qual a razão que faz com que tantos evitem esta profissão? A resposta talvez seja os salários pouco apelativos ou até a falta de valorização dos docentes. Sendo assim, a preocupação de quem está no poder deveria ser resolver as causas deste problema nacional, ao invés de discursos sensacionalistas sobre realidades pouco sustentadas. Este artigo demonstra como uma crise pode ser encarada sob diferentes ângulos, segundo as intenções de quem a observa. Enquanto cidadãos, não podemos fechar os olhos à realidade; pelo contrário, temos o dever de continuar a comentá-la. Só desta maneira poderemos lutar e exigir que não se continue a ignorar as vozes de pais ansiosos, de professores desmotivados e de alunos receosos sobre o seu futuro. Escola Secundária de Tondela/ AE de Tondela Tomaz Ribeiro |
Isto também é comigo! é uma iniciativa do projeto PÚBLICO na Escola e da Rede de Bibliotecas Escolares, este concurso distingue, todos os meses, um texto da autoria de estudantes do ensino secundário, tendo como ponto de partida para a reflexão um trabalho do PÚBLICO.
Integraram o júri, nesta edição: Luísa Gonçalves, coordenadora do PÚBLICO na Escola; Anabela Solinho, professora, AE António Correia de Oliveira, em Esposende; Inês Saraiva, aluna do Agrupamento de Escolas de Albergaria-a-velha; Carla Fernandes, elemento da equipa RBE.