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O clima, a cegueira e um país que não se adapta

“Refletir sobre fenómenos climáticos de forma empática”. Carol Moreira é a vencedora

Aluna do AE de Caneças distinguida na edição de março do concurso mensal promovido pelo PÚBLICO na Escola e pela Rede de Bibliotecas Escolares.

[24.04.2026]
Foto de Carol
“quanto mais cedo tivermos a coragem de agir, mais rapidamente colheremos os frutos da nossa prudência ”, defende a jovem do 11.º ano.
 
 

O clima, a cegueira e um país que não se adapta

O artigo do jornal PÚBLICO “Portugal é o país onde as casas se portam pior do que o clima”, da autoria de Andréia Azevedo Soares, desperta amargura em qualquer patriota. Face às recentes ondas de calor e tempestades que assolaram Portugal, transformando casas em locais inóspitos, penso que é importante refletir sobre estes fenómenos climáticos de forma empática, já que os mesmos não só arrancaram telhados e janelas, mas também a estabilidade da vida das vítimas.

O que mais me entristeceu, ao ler este artigo, foi a descoberta do enorme atraso na adaptação climática a nível nacional, o que revela, a meu ver, a inação governamental. É bastante revoltante viver num país em que a pobreza energética das habitações afeta milhares de pessoas, sabendo que atualmente existem soluções ecológicas para a combater. As catástrofes naturais não são totalmente previsíveis, porém, ao prevermos os seus possíveis danos, evitamos ser um país que abandona as populações quando elas mais precisam.

Ao ler este artigo, foi inevitável recordar as palavras escritas por Saramago no “Ensaio sobre a Cegueira”: «Penso que não cegámos, penso que estamos cegos. Cegos que veem, cegos que, vendo, não veem.». Apesar dos sinais da natureza, Portugal não se adaptou às alterações climáticas; na cegueira de viver o presente, esqueceu-se de acautelar o futuro. No entanto, descobrir o projeto “Macau Valley”, em que um conjunto de fatores bioclimáticos é reunido num estudo arquitetónico, fez-me recuperar a esperança num amanhã melhor e compreender que a construção ecológica não pode estar reservada a quem pode pagar inovação.

Há quem defenda que tudo deve ser tratado a seu tempo. Contudo, essa forma de pensar é perigosa na gestão de uma república: quanto mais cedo tivermos a coragem de agir, mais rapidamente colheremos os frutos da nossa prudência.   

Carol Luana Coelho Moreira, 11.º ano
Agrupamento de Escolas de Caneças

 

Isto também é comigo! é uma iniciativa do projeto PÚBLICO na Escola e da Rede de Bibliotecas Escolares, este concurso distingue, todos os meses, um texto da autoria de estudantes do ensino secundário, tendo como ponto de partida para a reflexão um trabalho do PÚBLICO.

Foi o artigo «Portugal é o país onde as casas se portam pior do que o clima», de Andréia Azevedo Soares, publicado a 5 de março de 2026, que conduziu a aluna a esta reflexão.

Integraram o júri, nesta edição: Luísa Gonçalves, coordenadora do PÚBLICO na Escola; Cláudia Sá, professora, AE António Correia de Oliveira, em Esposende; Matilde Moura, aluna da Escola Básica e Secundária de Santa Maria, de Vila do Porto - Ilha de Santa Maria; Dália Santos, elemento da equipa RBE.

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