“A música pode ser um espaço de intervenção social e cívica.” Vence Julie Ferreira

Aluna do 12.º ano do AE da Moita deixa-nos a sua perspetiva sobre o que aconteceu na cerimónia dos Grammys. 

[27.03.2026]
Fotografia da Julie
“A arte sempre refletiu o contexto histórico e social em que é produzida, funcionando como espelho das tensões e preocupações do seu tempo. ”, reflete a jovem.
 
 

O Som da Mudança

A 68.ª edição dos Grammys, realizada na Crypto Arena, em Los Angeles, destacou-se não apenas pelos prémios atribuídos, mas sobretudo pela forte dimensão política que marcou a cerimónia. Segundo o jornal Público, no artigo "Grammys: uma noite pró-imigração e anti-ICE que Bad Bunny e Kendrick Lamar venceram", de Rodrigo Nogueira, vários artistas aproveitaram a visibilidade do evento para se posicionarem contra as políticas anti-imigração dos Estados Unidos, demonstrando que a música pode ser também um espaço de intervenção social e cívica.

Esta atitude confirma que a cultura não é neutra nem indiferente à realidade. A arte sempre refletiu o contexto histórico e social em que é produzida, funcionando como espelho das tensões e preocupações do seu tempo. Ao criticarem o ICE (Imigração e Fiscalização Aduaneira dos EUA) e defenderem os direitos dos imigrantes, artistas como Bad Bunny ou Billie Eilish mostram que não querem limitar-se ao entretenimento. Quando Billie Eilish afirma que “ninguém é ilegal em terra roubada”, utiliza um palco global para questionar desigualdades e estruturas de poder, promovendo reflexão junto de milhões de espectadores.

É verdade que este tipo de intervenção pode gerar polémica. Os Grammys são acompanhados por públicos com opiniões políticas diversas, e um posicionamento explícito pode provocar divisão. No entanto, essa divisão já existe na sociedade; a arte apenas a torna visível e estimula o debate. Silenciar estas vozes seria ignorar problemas reais.

Para além da vertente política, a cerimónia ficou ainda marcada pela consagração de “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”, integralmente em espanhol, como Álbum do Ano, sinal de maior abertura à diversidade cultural. Assim, considero que esta edição dos Grammys provou que a música pode ser, simultaneamente, celebração artística e instrumento de consciência social.    

 

Julie Ferreira, 12.º ano
Agrupamento de Escolas da Moita, Setúbal

 

Isto também é comigo! é uma iniciativa do projeto PÚBLICO na Escola e da Rede de Bibliotecas Escolares, este concurso distingue, todos os meses, um texto da autoria de estudantes do ensino secundário, tendo como ponto de partida para a reflexão um trabalho do PÚBLICO.

O artigo «Grammys: uma noite pró-imigração e anti-ICE que Bad Bunny e Kendrick Lamar venceram», da autoria de Rodrigo Nogueira, publicado a 2 de fevereiro de 2026, inspirou a aluna para uma reflexão avisada sobre a 68.ª edição dos Grammys, realizada na Crypto Arena, em Los Angeles.

Integraram o júri, nesta edição: Luísa Gonçalves, coordenadora do PÚBLICO na Escola; Anabela Solinho, professora, AE António Correia de Oliveira, em Esposende; Etienne Gendler, aluna da Escola Básica e Secundária de Santa Maria, de Vila do Porto - Ilha de Santa Maria; Carla Fernandes, elemento da equipa RBE. 

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