Um “silêncio imposto pelo medo” levou Beatriz Brandão a falar. Venceu em janeiro

Situação na Venezuela é o tema do texto de opinião da aluna do 11.º ano do Agrupamento de Escolas Carolina Michaëlis, Porto. 

[27.02.2026]
Fotografia da Beatriz
“O que mais me escandalizou foi compreender que aquele silêncio não é sinónimo de serenidade, mas sim o reflexo de uma opressão profunda e invisível. ”, reflete a jovem.
 
 

Sombra de um povo sem voz

Ao ler a notícia “Checkpoints nas ruas e jornalistas detidos: a repressão à dissidência aumenta na Venezuela”, da autoria de Inês Chaíça, senti um aperto no coração. Fiquei profundamente perturbada com a realidade que atualmente vive aquele país. Não é apenas um texto sobre política, mas um retrato impiedoso de um povo que perdeu um direito básico, o de se expressar. A notícia demonstra que, mesmo depois de uma “grande” mudança política, os venezuelanos permanecem sob vigilância, cercados por ameaças e obrigados a um silêncio imposto pelo medo.  

O que mais me escandalizou foi compreender que aquele silêncio não é sinónimo de serenidade, mas sim o reflexo de uma opressão profunda e invisível. É o retrato de uma população que vigia as próprias palavras e que apaga pensamentos antes de os expressar. Isto não é liberdade: é a dura arte de sobreviver em constante estado de alerta. 

É bastante revoltante pensar que, em pleno século XXI, ainda existam países onde expressar uma opinião pode custar a liberdade, ou a própria vida. A repressão não é apenas física, é psicológica. Ela destrói lentamente a coragem, a esperança e a identidade de um povo.  

Há quem afirme que a política é uma realidade distante, que não nos diz respeito. Contudo, essa ideia é uma ilusão perigosa. Quando toleramos que um povo seja privado da sua voz, estamos, na verdade, a abrir caminho para que o mesmo possa acontecer em qualquer parte do mundo, inclusive connosco. A liberdade de expressão não é um privilégio reservado a alguns, mas um direito humano imprescindível.

Esta notícia não é apenas sobre a Venezuela, é sobre todos nós. O medo não deve ser visto como algo banal e o silêncio imposto não pode ser ignorado. Não nos é permitido desviar o olhar quando milhões de pessoas são condenadas a existir como sombras, aprisionadas pelo receio da própria voz. A liberdade necessita de ser defendida, pois, quando desaparece, leva consigo a dignidade, a esperança e o futuro.  

Beatriz Teixeira Neves Brandão
Agrupamento de Escolas Carolina Michaëlis, Porto

 

Uma iniciativa do projeto PÚBLICO na Escola e da Rede de Bibliotecas Escolares, este concurso distingue, todos os meses, um texto da autoria de estudantes do ensino secundário, tendo como ponto de partida para a reflexão um trabalho do PÚBLICO.

O artigo «Checkpoints nas ruas e jornalistas detidos: a repressão à dissidência aumenta na Venezuela», da autoria de Inês Chaíça, publicado a 8 de janeiro de 2026, inspirou um artigo de opinião que espelha o pensamento de uma jovem sensível e atenta à problemática do défice de liberdade no mundo.

Integraram o júri, nesta edição: Luísa Gonçalves, coordenadora do PÚBLICO na Escola; Cláudia Sá, professora, AE António Correia de Oliveira, em Esposende; Mariana Alves, aluna do Agrupamento de Escolas de Albergaria-a-Velha; Dália Santos, elemento da equipa RBE.

 

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