Em janeiro de 2026, a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) publicou o primeiro rascunho do quadro de referência do PISA 2029.
Este terá como domínio principal de avaliação dos alunos de 15 anos a Leitura e, como domínio inovador, o MAIL (Media and Artificial Intelligence Literacy), que avaliará de forma integrada.
Os resultados vão permitir uma visão internacional comparável sobre as competências MAIL.
O “domínio inovador” (innovative domain) é uma área de avaliação incluída em cada ciclo do PISA desde 2012, destinada a medir a capacidade dos estudantes aplicarem competências essenciais do século XXI.
O domínio inovador dos 3 últimos ciclos do PISA (2018, 2022, 2025) foi: Competência Global (Global Competence), Pensamento Criativo (Creative Thinking) e Aprender no Mundo Digital (Learning in the Digital World – LDW).
É importante que os alunos tenham consciência que “O atual panorama mediático enfrenta ‘uma crise de informação’ permeada por ‘algoritmos em grande parte invisíveis e sistemas de informação cada vez mais invisíveis’” (OECD, 2026, p. 10). Aquilo que eles veem e leem online é selecionado por sistemas automáticos de recomendação e podem ter sido gerados por IA.
Este quadro de referência parte da ideia de que as duas literacias se intersetam e são interdependentes:
“A literacia mediática é a capacidade de aceder, compreender, analisar e criar meios de comunicação, enquanto se reflete sobre o seu impacto nos indivíduos, nas instituições e na sociedade” (OECD, 2026, p. 9);
A literacia em IA “permite aos alunos interagir com a IA, criar com ela, geri-la e moldá-la, ao mesmo tempo que avaliam criticamente os seus benefícios, riscos e implicações éticas” (OECD, 2026, p. 9).
A OCDE propõe a avaliação de 5 competências mediáticas e de IA que abrange capacidades cognitivas, sociais, emocionais e cívicas.
Uma delas - refletir e agir ética e responsavelmente - não é uma competência autónoma, é transversal às outras quatro.
A avaliação MAIL é abrangente: mede competências técnicas e cognitivas, disposições que permitem aos alunos pensar criticamente, agir de forma responsável e adaptar-se à mudança.
Tem duas componentes: um teste e um questionário.
Segundo o exemplo apresentado no documento, o questionário pode incluir atitudes, perceções, práticas e preferências em relação à IA (e às redes sociais), bem como a suscetibilidade à desinformação e a dependência digital, permitindo traçar perfis de risco dos alunos.
Um dos aspetos que este Modelo de Competências MAIL destaca, no âmbito da competência da análise e avaliação da informação, é a importância de desenvolver nos alunos o hábito de leitura lateral: sair da página em análise e consultar outras fontes para verificar a informação e investigar quem a produz (OECD, 2026, pp. 48-50). Esta consulta, por exemplo, através de pesquisas por palavras-chave num motor de busca, permite:
Nesta perspetiva, o conteúdo gerado por IA deve ser sujeito ao mesmo escrutínio crítico que os outros meios de informação.
Para as bibliotecas escolares, este quadro de competências não é uma novidade.
O valor do quadro MAIL está em oferecer uma estrutura formal comum, reconhecida internacionalmente, que pode ser usada como uma lista de verificação para planear e acompanhar o trabalho em literacia digital, da informação e dos media, em articulação com qualquer disciplina do currículo.
No trabalho no terreno, é importante manter a flexibilidade, pois o quadro de referência ainda vai ser revisto, depois de submetido a um estudo-piloto e a um ensaio de campo.
Um espaço de reflexão, (in)formação e partilha sobre bibliotecas escolares, leitura e literacias.
Saber maisConsulte os artigos publicados no Blogue RBE antes de julho de 2026.
Subscreva a seleção mensal de artigos e mantenha-se atualizado.
SubscreverBreve história de quase 30 anos (2025)
Dia da Biblioteca Escolar 2026: mais bibliotecas, mais oportunidades (2026)