A Rede de Bibliotecas Escolares nas 2.ªs Jornada de Arte e Educação – Lugares da Educação Artística 

 [17.09.2026]

A Rede de Bibliotecas Escolares participou nas 2.as Jornadas de Arte e Educação, uma iniciativa da Arte Central, que decorreu nos passados dias 3 e 4 de julho na Universidade Lusófona, em Lisboa. 

Biblioteca escolar: o lugar onde a arte acontece 

Pode uma biblioteca escolar ser mais do que “o espaço dos livros”? Pode ser um lugar de criação, de encontro, de experimentação artística e de cultura? Foi precisamente esta reflexão que a Rede de Bibliotecas Escolares levou às 2.ªs Jornadas de Arte e Educação. Com a participação numa mesa-redonda, na qual se partilhou a comunicação A biblioteca escolar como lugar de educação artística: o espaço da desaceleração, da criação e do encontro, pôde demonstrar-se o papel da biblioteca escolar como centro cultural da escola e da comunidade. 

Num momento em que se repensa o papel da escola na formação de cidadãos mais criativos, críticos e participativos, a intervenção da RBE reforçou esta ideia fundamental: a biblioteca escolar é um espaço vivo onde a arte acontece. É um lugar aberto à diversidade, onde convivem a literatura, as artes visuais, a dança, a música, o cinema, a ilustração, o património e tantas outras formas de expressão artística. Para além do espaço físico, a biblioteca afirma-se como um ambiente de descoberta, de criação e de participação ativa. 

A perspetiva apresentada dialogou, naturalmente, com os temas centrais das Jornadas de Arte e Educação, que colocaram a criatividade, a experiência estética e a educação artística no centro das aprendizagens. Mas a sua relevância vai ainda mais longe: a proposta apresentada pela RBE evidencia uma considerável coerência entre as orientações internacionais, as políticas públicas nacionais e as práticas desenvolvidas diariamente nas bibliotecas escolares. 

Um compromisso internacional 

A proposta apresentada pela RBE encontra um sólido enquadramento nas orientações da UNESCO para a educação artística e cultural. Desde o Roteiro para a Educação Artística (Road Map for Arts Education, 2006) até ao recente Quadro para a Educação Cultural e Artística (Framework for Culture and Arts Education, 2024), a UNESCO tem defendido que a educação artística constitui um direito de todos e um elemento indispensável para o desenvolvimento integral das crianças e dos jovens. A criatividade, a participação cultural, a diversidade, o diálogo intercultural, o pensamento crítico e a aprendizagem ao longo da vida são apresentados como dimensões essenciais e pilares fundamentais na educação e na formação de cidadãos. 

A biblioteca escolar concretiza estes princípios ao proporcionar oportunidades de criação e participação cultural, democratizando o acesso às artes e transformando-as numa experiência acessível a toda a comunidade educativa. 

Uma estratégia nacional articulada 

Esta visão internacional encontra expressão nas políticas educativas nacionais, nomeadamente através da estreita articulação entre a RBE, o Plano Nacional das Artes (PNA) e o Plano Nacional de Cinema (PNC). 

No âmbito do PNA, o Projeto Cultural de Escola nasce, em muitas escolas, na biblioteca escolar ou é coordenado pelo professor bibliotecário, evidenciando o papel agregador da biblioteca na construção de uma estratégia cultural para toda a escola. Também aqui se destacou o alargamento à implementação do PNC, através da realização de festivais ou outras iniciativas de apropriação de linguagem cinematográfica enquanto forma de expressão artística, promovendo simultaneamente a literacia visual e o contacto com o património cinematográfico nacional e internacional. 

A concretização nas escolas, o desenvolvimento local 

É, porém, na dimensão local que estas orientações ganham verdadeiro significado. Os exemplos apresentados revelaram bibliotecas escolares transformadas em espaços de criação artística, onde um livro pode dar origem a uma coreografia, uma oficina de ilustração, uma exposição, um filme, um laboratório criativo ou um projeto interdisciplinar que envolve toda a comunidade educativa. 

As parcerias com museus, bibliotecas, arquivos, artistas, autarquias e instituições culturais, bem como a realização de oficinas, exposições e experiências de contacto, mostram que a biblioteca escolar é hoje um verdadeiro laboratório de cultura. Um espaço onde a leitura dialoga naturalmente com todas as linguagens artísticas e onde os alunos deixam de ser apenas consumidores de cultura para se tornarem criadores e participantes ativos. Neste âmbito, apresentou-se, entre outas iniciativas, o projeto Desafi'arte, uma parceria entre a RBE e o Museu Calouste Gulbenkian, ancorada na relação de proximidade das escolas participantes e no desenvolvimento das competências para a cultura democrática. 

Num tempo marcado pelo ritmo acelerado, pelas múltiplas solicitações e pelo excesso de informação, destacou-se também outra dimensão essencial da biblioteca: a da desaceleração, como referido no título da comunicação, à luz das palavras de Michèle Petit “Ler ou estar na companhia de livros serve para encontrar um outro tempo, uma suspensão.” (2020) 

Um lugar onde é possível parar, observar, ler, conversar, imaginar e criar. Um espaço que convida ao encontro consigo próprio, com os outros e com a cultura, valorizando o tempo da contemplação e da experiência estética. 

Em modo conclusão 

A participação da Rede de Bibliotecas Escolares nas 2.ªs Jornadas de Arte e Educação veio, assim, demonstrar que a biblioteca escolar é muito mais do que um centro de recursos da escola. É um espaço onde convergem orientações internacionais, estratégias nacionais e práticas locais inovadoras e se transformam em experiências concretas de aprendizagem, criação e cidadania. 

Porque quando uma biblioteca acolhe a arte, transforma-se num lugar onde se aprende de forma diferente. Um lugar onde a criatividade encontra espaço para crescer, onde a cultura aproxima as pessoas e onde cada livro pode ser o ponto de partida para novas formas de olhar, sentir e compreender o mundo. É nesta convergência que reside a força da biblioteca escolar enquanto espaço de educação artística, cultural e humanista para o século XXI. 

 

Alguns exemplos citados na apresentação: 

BE Escola Secundária Dr. Azevedo Neves - Amadora  

Museu.exe_o golpe invisível  

 

BE do AE São Bruno - Oeiras 

CULTURA É EDUCAÇÃO 

 

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